Consertar é tendência; faz bem para o bolso e para o meio ambiente

Quando um produto quebra, você joga fora ou leva para arrumar? As lojas de consertos já viraram uma tendência para 2017: fazem bem para o bolso e para o meio ambiente.

Em tempos de coisas caras e grana curta, economizar é luxo! Dar uma cara nova para uma coisa antiga sempre foi comum para roupa, sapato, agora, você já ouviu falar de conserto de mala? “De bolsa eu já vi. Bolsa normal, que a gente carrega, mas mala, não”, conta a empregada doméstica Daiana Barbosa.

Não só existe como é um serviço que está cada dia mais em alta! A empresa da Fernanda, do Marcos e da Cristina nasceu como uma oficina de reparos de sapatos, mas há 2 anos, eles decidiram especializar a mão-de-obra na reforma de malas, bolsas e bagagens. “Eu cresci no meio da sapataria, fui aprendendo, e vi uma carência muito grande na parte de malas, que a sapataria não fazia e, quando fazia, era um serviço mais simples. Não fazia uma troca de roda, só trocava haste, o básico”, explica Marcos Vinícius.

Marcos deu o tiro certo, na hora certa. Percebeu que apostar no mercado de reparos seria um bom negócio. Já existem lojas de consertos de celulares, relógios, equipamentos eletrônicos, brinquedos, instrumentos musicais e agora, malas de viagem. “A tendência é voltar um pouco no passado, ou seja, consertar, dar manutenção para continuar utilizando um bem que você já tem”, diz o consultor Sebastião de Oliveira.

Todos os meses, a oficina conserta entre 300 e 400 malas e nessa temporada de férias, a procura aumenta. “É aquela pessoa que guardou a mala, esqueceu lá quebrada, aí quando vai viajar, pega a mala, vê que está quebrada, vem aqui correndo que a gente faz”, diz a empresária Fernanda Guimarães.

Esse negócio de consertar as coisas está em alta mesmo! E não é só mala que o pessoal está procurando reformar, não. Quem cozinha, precisa de comida e panelas. E quer melhor lugar para montar uma barraca de conserto de panelas do que uma feira livre? Keila, Cirlene, Denise e Erica herdaram a barraca de conserto de panelas do pai. Em 2016, com toda a crise econômica, elas faturaram 20% a mais.

As moças divulgam o serviço nas redes sociais e dão dicas de como conservar as panelas, mas não precisam gastar com propaganda, não. É como se elas batessem panelas o dia inteiro para chamar a atenção dos clientes, só que de um jeito mais sutil. O consumidor é fisgado com argumentos. O preço de um conserto fica, em média, 15% menor do que uma panela nova. Uma panela de pressão, por exemplo, que está inteira, com o alumínio bom, só a borrachinha que estragou, tem o preço do conserto em R$ 3. O preço de uma panela nova fica em R$ 80.

E é difícil aparecer uma panela que as meninas da barraca não consertam. Elas fuçam em tudo, ajustam, arrebitam, martelam. Para cada coisa tem um preço: troca de válvula, R$ 8, cabo quebrado, R$ 10, desamassar a panela, R$ 15. E como quem compra panelas, precisa de outras coisinhas também, as meninas espalharam centenas de itens baratinhos. São colheres, facas, cortadores, abridores, prendedores, espremedores, buchas, ralos e espelhos. Resultado: a banca-vitrine de oito metros de extensão representa 40% do faturamento.

As empresárias vendem mais de 500 peças por mês. Já as panelas, são 160 consertos, com um faturamento mensal de R$ 12 mil. Como não pagam aluguel da barraca, nem água, nem luz, quase tudo é lucro. “Hoje as pessoas começaram a entender que não há necessidade de se trocar com aquela velocidade de antigamente. Estão juntando uma questão de sustentabilidade e, por outro lado, a questão financeira. É isso que faz o conserto, a manutenção dos itens fica uma coisa cada vez mais em alta, mais necessária e muito bem vista pelo consumidor”, explica o consultor Sebastião de Oliveira.

Fonte: G1